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06/05, 2005 16:31 por Fellipe
Quando surgiu comercialmente no mundo, a internet era um ambiente simples e ao mesmo tempo complexo, pois colocava o usuário próximo a procedimentos muito técnicos. Passados alguns anos, popularizou-se, e desde então quase todos os lares que abrigavam um micro, havia uma conexão com a internet.
Neste meio tempo ocorreu uma guerra que afeta até hoje a todos nós, navegantes, é a guerra dos browsers. Tudo mantinha-se bem quando a Netscape, com seu Netscape Navigator, respondia por mais de 90% da responsabilidade de exibir páginas para seus usuários. A Microsoft viu que um mercado ainda não muito explorado por ela poderia render a passagem livre para o paraíso a longo prazo, e começou a melhorar sua ferramenta para navegação: o Internet Explorer, concorrente do Netscape.
O IE já existia simultaneamente com o NS, porém era arcaico demais perante o concorrente. Em compensação, o NS era uma carroça, e isso, em adição com a conexão muito lenta para época contribuiu para que qualquer um que lançasse um browser mais veloz para navegação, ganhasse a fatia da Netscape.
Foi o que fizeram. O IE tornou-se requintado e rápido. Era óbvio que ganharia maior parte do mercado. Só que a história real foi muito mais voraz! A Microsoft embutiu o IE na distribuição do seu sistema operacional… e desde então, chegou a bater ao menos 96% da responsabilidade do mercado no seu máximo.
E isso aconteceu com o Win98, com o WinMe, com o Win2000 (NT) e com o WinXp. Todos com o IE entranhado. Levando em conta que a MS vende mais de um produto, essa estratégia foi certíssima apesar de desleal. Na Europa, a MS foi proibida de vender o Windows Media Player embutido no sistema pelo mesmo motivo: ele simplesmente arrancava a concorrência da sola. Não sei o motivo que não levou ninguém que tenha força na palavra a reclamar do IE, mas enfim, isso não vêm ao ca$o.
Usamos, em maioria, Windows 98 e XP, e por isso o IE é necessariamente usado, até mesmo quando queremos pegar outro browser qualquer (a não ser que você tenha gravado em algum CD).
Com ícone azul chamativo e botões simpáticos, o IE conquistou não somente pela estratégia, mas também pelos conceitos que fixou no modo de navegar na web. Ele é muito parecido, senão idêntico, com o modo que fazemos para navegar em nossos próprios arquivos e daí então podemos relevar a familiarização com a ferramenta. É tão familiar, que se digitarmos C: no IE acessamos nosso “root”, e o contrário também: experimente abrir “Meus Documentos” e digitar http://www.google.com na barra de endereço.
Mas, como eu falei, ele fixou os conceitos, não inventou nem inovou, e ficou pior ainda depois de ter conquistado 96% do mercado. A Microsoft lançava versões de atualização apenas para corrigir falhas da versão anterior.
Para piorar muito, muito mesmo, existe uma joint venture criada em meados da década de 90 por gigantes como HP, IBM e até mesmo a própria MS chamado W3C, ou World Wide Web Consortium.
Para quem não sabe o que foi tudo isso eu explico. Essas empresas, e outras, juntaram-se para definir uma série de padrões. Essa junção chama-se joint venture, e neste caso específico, foi para definir padrões para documentos Web.
Mesmo com a MS participando da W3C, não foram incorporados todos os padrões aprovados comumente no IE.
O motivo real eu não sei, mas, para mim, isso é querer inventar moda… E é muito irônico que um browser que nunca inovou em nada queira justamente quando existe um padrão, inventar.
Pode parecer inofensivo este fato, mas não é. Nos ~ 5 anos que o IE reinou soberano, milhares de web-developers que se formaram e gastaram uma boa grana aprendendo a fazer páginas web eram totalmente orientados a fazer páginas que funcionassem exclusivamente no IE, e não web como era proposto.
Com as páginas totalmente orientadas a funcionar no IE, todos os outros pequenos concorrentes ficavam muito atrás. Na hora de carregar qualquer coisa, por mais rápido que poderia ser, o conteúdo ficava torto, indisposto, e diversas vezes simplesmente não funcionava. Éramos obrigados a navegar com o Internet Explorer por conta disso.
Analisando mais profundamente podemos até arriscar que foi proposital.
Em contrapartida, a falida Netscape resolveu abrir o seu código fonte, ou seja, mostrou a receita do bolo para quem quisesse fazer um browser idêntico ao seu. As empresas costumam a fazer isso para abrir espaço no mercado novamente. Essa tática é muito “agressiva”! É mais ou menos como se a Pepsi revelasse a sua fórmula, e ao invés de comprarmos Coca Cola, faríamos Pepsi caseira ou compraríamos de marcas alternativas mais baratas. O equilíbrio das marcas iria manter-se novamente. É a natureza em ação.
Aproveitando a deixa, por volta de 2000 a Mozilla Foundation, uma organização voltada ao software livre, o famoso “código aberto”, pegou uma cópia do fonte da Netscape e contou com a colaboração de milhares de programadores bem-intencionados no mundo para o desenvolvimento de um browser melhor.
Todos já estavam cansados da tirania.
Constataram que apenas 1 única biblioteca de funções do NS prestava, e redesenharam todo o projeto novamente, criando o browser Mozilla, que incorporava um monte de aplicações, como leitor de email, leitor de notícias e editor de HTML. Além disso, seguia a risca os padrões da W3C e suportava tudo que o antigo NS suportava. O problema persistiu em desempenho, pois com todas essas ferramentas disponíveis ao mesmo tempo, era difícil ficar rápido, e então, apesar de bom, precisávamos de um micro potente para rodar bem o Mozilla.
Pensando nisso, a Mozilla Foundation resolveu criar todas essas aplicações em módulos, sendo 2 principais: um navegador e um cliente de email, porém ambos iriam operar sobre o mesmo motor, que deveria ficar mais leve. Daí então surgiram o Firebird e o Thunderbird. O Firebird era o browser, leve, muito bom! Por alguns probleminhas de nomes, a Mozilla teve que mudar de nome, tornando o nome oficial do Firebird em Firefox, e o Thunderbird persiste até hoje, sendo um ótimo cliente de email.
Só para completar a informação, além de livres, gratuitos, código aberto, rápidos, padronizados, multi-plataforma eles são expansíveis, ou seja, podemos instalar pequenas aplicações que rodam sobre eles deixando-os muito mais interessantes e personalizáveis.
Enfim, a solução ao caos havia chegado.
Junto com a solução, veio o problema. Quem quer seguir ao pé da letra os padrões da W3C têm que fazer gambiarras, ou hacks, para poder ter um mesmo site visualizado de forma idêntica entre o IE e qualquer outro browser, e atualmente, o IE tem “apenas” 86% do mercado (e caindo).
Por culpa da intimidade que o IE tem com o Windows, inegavelmente o sistema operacional mais usado em desktops no mundo, ele ainda é largamente utilizado, e nós, webs, simplesmente não podemos estar 100% nos padrões por conta disso. Mas isso está mudando. A MS depois de grande pressão está cedendo, e logo, metade/final de 2005, lançarão o IE versão 7, que segundo a MS vai suportar todos os padrões W3C e recursos não antes suportados, como a transparência do png de 24 bits.
Continuo hoje e ficarei fiel ao meu Firefox com todas as minhas extensões e temas, pois eu já estou dentro do padrão, e não preciso mais me preocupar em navegar seguro na web. Fico mais tranquilo quanto a poder finalmente usar 100% dos padrões existentes e não ter mais que ficar 2 semanas ao invés de 1 testando meus sites por conta de diferentes renderizações.
Atualmente a AOL comprou a Netscape, e está utilizando o código da Mozilla para criar uma nova versão, gratuita, do Netscape, que está em beta para a versão 8.
Este artigo foi publicado Friday, 06 de May de 2005 às 16:31 e foi categorizado como conceitual, mozilla.
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