ruf space, techblog sobre webstandards e cotidiano web.
01/06, 2006 23:47 por Fellipe
Sabadão de manhã fria em São Paulo. Névoa densa. Arrepio só de pensar em banho… Coloco uma touca pra disfarçar a preguiça e ainda muito sonolento acordo meu irmão. Decidimos ir de carro por motivos óbvios.
No caminho fico pensando: “Juro que tentei, tentei mesmo, e pesquisei em sites muito bons” - mas dá aquele medo de tomar calote novamente. Melhor resolver os problemas cara a cara. Talvez, por intermédio de uma Santa minha agonia seja finalmente saciada.
Fui sem pretensão alguma. Erramos algumas entradas mas chegamos. Paulistano tem memória de peixe, assumo.
Melhor pagar R$10 do que correr o risco de perder o carro. Esticamos as pernas. Lá vamos nós mergulhando de cabeça entre as ruas turvas e lotadas do centro de SP. Cenário péssimo. Ambulantes abusados e prontos para fazer “amizade”. É preciso destreza para desviar dos CDs e caixas de playstation 2 que ficam praticamente inundando o campo de visão.
Alguns gritos sinalizam a chegada de uma entidade comum a estes lugares: polícia. Porta-malas e capôs fecham-se instantaneamente. A segunda coisa a fazer é olhar para o céu e assobiar. Patético.
Mais patético ainda saber que a polícia nem desce do carro para nada. Talvez eles estejam lá só para assustar… ou até consumir, quem sabe?!
Ainda meio calado por conta do sono, citando algumas frases do MC Jeremias, finalmente começo um jogo de perguntas e respostas rápidas com um lojista. Fiz trocentos orçamentos on-line e sei de cor e salteado as especificações (e suas variações) das peças que procuro.
Queria ser 64bits. Queria ser Asus. Queria ter muita memória (pra compensar a naturalidade
). Queria vídeo decente.
Não queria fonte (de alimentação) e não queria HD (tenho 4 em casa), mas os preços eram razoáveis e a necessidade latente.
Como todo bom pseudo-negociador, pergunto sobre parcelas e descontos. Negativo. Como todo bom pseudo-irredutível, digo que vou dar mais uma olhadinha por aí. Precisava confirmar o quão trouxa eu estava sendo.
Virgindade quebrada, todo mundo que olha para mim é vítima de uma lista faminta. Repeti o mesmo procedimento com outros cinco lojistas na próxima uma hora que se segue. Confirmado. O primeiro foi o melhor.
Onde era a loja dele mesmo? Aqui é tudo igual… e, você sabe… memória de paulistano é aquela beleza (já disse isso, né?).
Depois de mais alguns passos reversos, lá estamos. Intactos e prontos para entrar nos detalhes.
Tenho sobre o balcão algumas peças que gostaria de listar aqui:
Por conta da minha eterna curiosidade sobre tecnologia, sei o significado de todas as siglas citadas mas não vou explicar não, ok? Tudo isso aproximou-se de R$2300. Levando em conta que é o equipamento, o valor está razoável. No mercado branco eu pagaria muito mais caro pelos mesmos produtos.
R$1000 no meu cartão de débito. R$1000 no cartão do meu (pobre) irmão, coitado
e mais um saque rápido no único banco24Horas que havia lá resolveram o pagamento. Só poderia ser à vista.
Peças virtualmente compradas, fomos para uma rua vizinha para testar o monstrinho e ver se ele estava saudável.
No local prometido, aguardamos. Aguardamos muito. Haviam pilhas de equipamentos na nossa frente para serem testados. Era de tudo mesmo. Drive de disquete da Sony que não prestava, HD da Samsung com pau, placa de vídeo ATI bichada… A única coisa que não tinha lá era espaço para o funcionário responsável trabalhar.
Finalmente minha hora chegou. Conecta tudo e… PIMBA. Não liga. Tira memórias e SHAZAM, ligou. Testa um dos pentes e voilá, era o dito cujo defeituoso. Precisava trocar por outro idêntico, senão não posso aproveitar um recurso que a minha placa mãe oferece.
Para a minha sorte aquela dupla de memórias em minhas mãos era a última. Para o meu azar, precisaria voltar no outro final de semana lá para obter outra dupla de pentes gêmeos. Contabilize um transtorno de R$10 + gasolina + acordar cedo num sábado frio…
Com apenas 1 GB de memória para brincar, volto pra casa. Monto o infolego e ligo.
Daí pra frente, é só pegar aquele cd rabiscado com a sigla winxpprosp2br (alguém sabe o que é?) e depois o Ubuntu 64bits que encomendei.
Nota 8 pro micro. Performance excelente, mas existem contra-fatores que denigrem bastante o valor real da peça.
Sim. Mercado Cinza é aquele intermediário entre o ilegal e o justo. Ele não recolhe todos impostos sobre os produtos que vende, mas torna possível a tão almejada inclusão digital por parte das pessoas da classe média e baixa.
Este artigo foi publicado Thursday, 01 de June de 2006 às 23:47 e foi categorizado como bananal.
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02 de June, 2006 às 09:42
Sensacional sua abordagem tão “humana” deste caso. Desde o acordar até o brinquedinho final. Me senti numa dessas avenidas “infernais” de Sampa. Pelo menos dessa vez você não tomou calote né?! Pelo menos espero…
02 de June, 2006 às 12:44
ha… mto bom, mto bom… gostei da abordagem, do modo d contar…
Deve ser moh inferno tb… Q nem a Uruguaiana aki no Rio, bizarro…
A máquina eh boa? show… comprei uma parecida… falta memória e processador, vou meter um dese q nem o teu…
Boa sorte pra nós
02 de June, 2006 às 13:27
Cool… escreva mais vezes assim… envolvendo…
02 de June, 2006 às 15:10
O garoto 64… nhein nhein uhehuehue…
Brincadeiras a parte, como se diz por ai “mó aventura”
02 de June, 2006 às 16:43
Oláaa Comprador do mercado cinza! rs… gostei mto da maneira como escreveu, surpreendeu-me!
Bjaumzaum! ;o*
06 de June, 2006 às 01:22
Toh precisando de uma dessas aih!!!
Meu pc já tah pedindo menos..
Abraço
22 de June, 2006 às 19:25
Kd, Kd mais artigos?
E qnd vc lançará um utilizando podcast??
Bjaum!