ruf space, techblog sobre webstandards e cotidiano web.
08/07, 2005 12:00 por Fellipe
Vasculhando revistas velhas em casa, encontrei diversos anúncios da IBM que me chamaram a atenção.
Eles anunciavam servidores com até 90MHz e alguns poucos megabytes de memória RAM. Era perceptível que mesmo com doze anos de diferença entre o tempo presente e o lembrado, a propaganda daquelas máquinas era imponente, de deixar qualquer infomaníaco paralisado por 1 minuto, pensando nas possibilidades.
Depois desse momento de reflexão, abri uma revista que tomei o costume de comprar (de 1 mês para cá) e tratei de olhar com mais respeito os anúncios.
Folheei, virei, li e pensei: -Pô?! Só tem propaganda da Microsoft meu?! Sacanagem. - Mentira minha. Existiam mais empresas também: Dell, IBM, Terra e outras tantas. O problema, é que reparando melhor, e levando em conta a freqüência, era evidente que a proporção rondava 3 para 1. Sem contar a contracapa.
Não bastasse isso, ainda existiam as citações constantes da marca, e seus produtos, em tudo que é artigo: Windows pra cá, Longhorn pra lá, Windows Mobile acolá… Estava ficando intrigado. Estaria eu sendo implicante demais?
-Nãooooo!!! Imagina só!? - disseram meus amigos irônicos. -Você? Implicante? Só por que a contagem de palavras-chave relacionadas pulou a casa dos 500 em uma mera edição? É brincadeira né?
Só não chamo as propagandas de enganosas por que não tenho como provar. Sabe quando você usa o bom senso para julgar o que vê? Ao certo, creio que, além de mim, a empresa citada deve estar pagando um bom din-din para a editora, e seus editores.
Para completar o circo, faltou o palhaço, eu. Fica óbvio, depois de uma precária análise das matérias, o protecionismo com a marca. É um fator agravante para alguém quem mal faz discernimento entre este tipo de leitura e Notícias Populares. Tudo parece muito comum, mas para os olhos atentos nem tanto.
Os testes elaborados pelo pessoal da revista, quando necessário, limitam-se a utilizar a plataforma da Microsoft para provar todos prós e contras de um aparelho. Excluem-se comentários sobre outros sistemas operacionais quando o assunto gira em torno de determinado tema como VoIP, TvIP, Wi-Fi ou simplesmente navegação pela rede.
Fico só imaginando se, quando eu daqui a dez anos for fuçar nas minhas antigas caixas e achar uma revista de 2005, pensarei a mesma coisa de hoje sobre as revistas da década de 90.
A marca citada tem cachê para divulgar seus produtos. Um deles, o pacote Office, realmente merece essa atenção, afinal ele é completo e está par com as necessidades de um escritório. O problema encontra-se nos supostos concorrentes desta empresa.
Quem são eles?
O que eles fazem para conquistar o mercado?
Por que a Microsoft fica fazendo comparativos absurdos?
Onde eles fazem propaganda?
As respostas são:
Eles são todos, e não são ninguém.
Não fazem nada, simplesmente existem e o mercado absorve.
A Microsoft fala mal para iludir os desentendidos.
Eles não fazem a propaganda, ela anda de boca em boca.
E é deste inimigo, invisível e intransponível, que a única empresa criadora de sistemas operacionais para PCs tem medo. Medo de perder o mercado, ou pior, medo de ter que se adaptar ao universo que outros criaram. Até hoje, pouquíssimos foram seus produtos que cruzaram os oceanos platafórmicos em busca de um público que está habituado com universos superiores: vide MS Office para Mac.
A técnica do FUD ainda permanece nas mentes dos publicitários. Achar ouro garimpando o Tietê na região de São Paulo é inviável. Empresário que se preze procura tirar suas próprias conclusões antes de mudar toda filosofia de sua empresa.
Por quanto tempo a Microsoft ainda vai dar comidinha para o Windows 2000? Ou para o Windows XP? Será inviável dentro de 2 ou 3 anos. Não gera lucro, só despesa. Quem usa o (precário) Windows 98 ou NT já se lascou faz um tempão. Se o micro falhar, tem que pedir ajuda para a Santa, Ifigênia.
Esse é o problema do Software proprietário: ele não é seu, ele é do proprietário, como diz o nome. Você paga pelo, e somente, privilégio de usar aquele santificado software que esforçados engenheiros fizeram para sustentar suas humildes famílias.
Alguns atentos podem questionar: - Aonde você iria para consertar seu O.S. gratuito caso ele desse um problema semelhante ao que pode acontecer com um Windows antigo? E eu respondo: - Provavelmente a lugar nenhum. Meu software não seria tão velho assim, pois tenho acesso gratuito ao último upgrade estável, que, aliás, foi lançado mês passado na Web. E por falar em Web, existem dezenas de pessoas que compartilham experiências de falhas ou bugs que já passaram, é bem provável que minha resposta esteja lá. Se não estiver, qual o problema de ir a Santa? Ao menos, este é meu último recurso. Com o Windows, seria logo de cara a primeira opção.
Temos que tomar cuidado com esta mídia intrusiva. De hoje em diante prometo que voltarei a minha web-leitura diária ao invés de manter meus olhos sorridentes pelas bancas e suas revistas (já) compradas.
Este artigo foi publicado Friday, 08 de July de 2005 às 12:00 e foi categorizado como conceitual, bananal.
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27 de January, 2006 às 15:22
Bacana seu blog, com assuntos interessantes e relevantes. Porém, não foi isso o que me motivou a enviar-te este comentário… concordo, em parte, com o seu ponto de vista apresentado neste post, mas vamos considerar alguns pontos interessantes:
1 - A grande maioria dos usuários de computador sequer sabe configurar um anti-vírus ou firewall, por mais simples que ele seja. Como então esperar que ele possa, a cada upgrade do SO gratuito disponível na Web, efetuar a instalação/atualização e configuração do mesmo?
2 - Alguns destes mesmos usuários - os que têm um pouco mais de conhecimento para utilizar o computador de outra forma que não como um simples terminal Web - têm a grande vantagem de aproveitar seu conhecimento adquirido no Windows e em outros softwares da Microsoft em seu ambiente de trabalho ou, mais importante, ao buscar uma colocação profissional. O que fariam caso o seu SO fosse outro (Linux, por exemplo)? Teriam que investir uma boa quantia (normalmente maior que o custo do Windows) em treinamentos específicos para poderem estar aptos ao mercado de trabalho?
3 - E as empresas que, por ventura, vierem a utilizar (ou que já estejam utilizando) SO e outros softwares de apoio Opensource, o que dizer delas? Seguindo o mesmo reciocínio apresentado no item acima, ao contratarem funcionários que não têm conhecimento de sua plataforma de trabalho, não teriam que investir em cursos e treinamentos para estes?
4 - E o que dizer do custo referente à manutenção dos equipamentos? Hoje, devido principalmente à falta de profissionais qualificados para tal em outras plataformas que não à Microsoft, o custo/hora de um profissional capacitado para instalar, configurar e manter um servidor Linux é bastante alto em relação ao de um profissional capacitado para instalar, configurar e manter um servidor Microsoft.
5 - Consultorias de sistemas, softwarehouses e outras empresas de desenvolvimento têm, comprovadamente, maior produtividade ao utilizar a plataforma Microsoft como padrão (principalmente em relação ao desenvolvimento na plataforma Java), o que implica em maiores ganhos para estas empresas. Além disso, profissionais capacitados para trabalhar com a plataforma Microsoft apresentam um custo/hora inferior a um profissional capacitado para trabalhar na plataforma Java, por exemplo.
Quero deixar claro que não sou um defensor da Microsoft, apenas estou colocando aqui outros pontos importantes que devem ser considerados nessa eterna discussão Software Proprietário vs. Software Livre (embora eu não ache que este é o melhor termo, já que software livre não significa software grátis).
Ocorre que, na minha modesta opinião, muitas pessoas - não que seja este o seu caso - levantam suas bandeiras contra a Microsoft pelo simples fato de ela cobrar pelos seus produtos, como se não vivêssemos num mundo capitalista… acho que a discussão toda vai muito além disso… deixar de utilizar o Windows é uma questão econômica e cultural que, acredito, não ocorrerá tão cedo.
Abraços,
Eduardo Bueno
27 de January, 2006 às 16:51
R1 - Justamente, não espera-se. Esses usuários devem buscar auxílio de usuários experientes. Não há problemas em procurar ajuda em revistas especializadas também, o problema é que existem revistas especializadas em publicidade, e não em TI.
R2 - Partindo do ponto que os usuários leigos usam o computador como um simples terminal Web, então tanto faz o S.O. ativo. Se os usuários avançados começassem suas experiências no mundo da computação em uma estação não-Windows, então, teriam que pagar caros cursos para aprender a manipular o Windows?
O dilema encontra-se nos hábitos das empresas, que costumam utilizar Windows por culpa de uma convenção comercial que cresceu durante os últimos 10 anos e tende a diminuir de acordo com o crescimento dos concorrentes. Se a nova geração começar a utilizar um computador com Linux instalado, então o futuro empresarial dos desktops será bastante diferente.
Para usarmos Linux hoje, basta fazer um download.
R3 - Sim! A empresa poderia simplesmente filtrar o seu número de profissionais OU adaptar a sua realidade uma área de suporte. Aliás, área de suporte existe de qualquer forma, seja Windows ou não, pois as dúvidas sempre existem. usuário é usuário. Agora, concordo que, por culpa da cultura que já citei, algum investimento em treinamento deveria ser aplicado. Isso tende a mudar.
R4 - Concordo também! Contudo, a qualidade dos serviços é um diferencial que torna o custo/benefício mais atraente em grande parte dos casos para o lado do Linux/Unix. Quando um servidor é configurado neste ambiente, a tolerância é sensivelmente maior do que algo configurado em ambiente Windows. Não tenho muita experiência, mas gostaria de comparar o IIS com Apache, duas ferramentas que fazem parte da minha vida diária. É gritante a diferença entre as duas soluções, e o custo do profissional é justificado por conta disso, e não por conta do fator “serviço raro”.
Os brasileiros estão investindo em treinamentos fora da área Microsoft. Isso é ótimo para estimular e equilibrar o mercado. Existem muitas escolas boas que lecionam Linux por aí, e a tendência é crescer.
R5 - Esses “ganhos” vão até onde for interessante para a detentora da tecnologia permitir. Se amanhã a MS muda a estratégia por conta de uma inovação, então, as empresas vão ter que investir alto atrás de profissionais para continuar fazendo as mesmas coisas. O real lance da tecnologia .NET não é a tecnologia .NET, é o Visual Studio. O VS é uma ferramenta excepcional, muito boa mesmo! Ele, e somente ele, agiliza bastante a parte de desenvolvimento de qualquer empresa. Contudo, se as pessoas começarem a mudar os seus hábitos, vulgo Sistema Operacional, essa realidade fica ameaçada. É esse um dos motivos que pode incentivar a MS a mudar de estratégia. Ela ficou quase 5 anos com o .NET na gaveta, e isso gerou receio em quem pegava ASP3 ou VB6 para programar. Quando foi lançado, esse medo virou “puts grilo, preciso roubar dinheiro na igreja e fazer todos os cursos na impacta que puder” pois os cases dos softwares tiveram que mudar TODOS. Graças ao OO-Only.
Eduardo, gostaria de agradecer muito a sua colaboração, pois ela enriquece demais esse “outro lado da moeda”. Eu confesso que estava um pouco revoltado neste post, e não sou sedento por destruir a MS, mesmo porque seria hipocrisia demais compor este texto no Notepad e falar isso para você. O fato é que faz-se necessário denunciar alguns aspectos opressores que essa empresa comete com certa freqüência. Isso não é ser esquerdista ou da direita, é simplesmente ser crítico.
Tentamos levar a democracia através da crítica, transpondo os grandes muros que as empresas que criam softwares proprietários constroem. Só isso!
Grande Abraço!
Aguardo sempre a sua crítica e colaboração. Ambos ganham.